Vivian Renee Soto EspinalNo início deste semestre, uma nova voluntária chamou atenção do Crea+, especialmente da equipe OC: Vivian Soto veio de Honduras ao Brasil especialmente para cursar Pedagogia e hoje é aluna da PUC, pela qual se formará muito em breve.

Vivian comenta que que a vinda ao Brasil é uma forma de adquirir a perspectiva sulamericana da educação, complementando aquela que traz consigo da América Central. “Decidi estudar pedagogia por aqui quando percebi que teria uma visão mais aberta sobre o tema. O Brasil seria minha oportunidade de conhecer um novo idioma e uma nova cultura – uma outra visão da Pedagogia e também da vida”.

Se Vivian não está em lua-de-mel com a PUC, ao menos é aluna que veste a camisa da faculdade. “A PUC é bem aberta e diferentona. Tive toda uma iniciação nas humanidades. Na verdade, eu já sabia que encontraria ali uma abordagem diferenciada sobre a Pedagogia, e foi o que me levou a prestar o vestibular. O currículo do curso é bastante singular, não são aulas tradicionais: lá se aprende que ser professor é muito mais do que saber escrever em uma lousa. Nós debatemos finanças, economia, políticas públicas, gestão democrática e até o autoconhecimento. Há um pouco do que veria em outros cursos, porque estudar Pedagogia é também estar aberto a várias outras áreas. Foi isso que me trouxe ao Brasil e faz refletir sobre a pessoa que sou hoje e a pedagoga que quero me tornar. Se estivesse em Honduras, não estudaria Pedagogia. O curso é muito fechado e tradicional, e eu não gosto disso”.   

Ela entende, otimista, que o ensino no Brasil – e na América em geral – está em mudança constante, rumo a uma verdadeira transformação. A educação é vinculada às demais esferas da sociedade, em especial ao mercado; se uma se renova, o mesmo acontecerá com a outra. “A educação está em todas as áreas de nossas vidas. Ela muda porque precisamos de pessoas criativas, dinâmicas; caminhamos para algo mais voltado ao ser da pessoa. É uma mudança devagar, mas ela ocorre. Começaremos a percebê-la a médio prazo”.  

O método tradicional de ensino que conhecemos –  fileiras de jovens portando cadernos e apostilas criadas sem considerar as suas respectivas singularidades, organizadas dentro de salas diante de um professor com postura de mero transmissor de conhecimento – tende, assim, a perder espaço. Vivian entende que esse tradicionalismo, embora visto como natural, não é. As aulas devem levar em conta a individualidade de cada estudante. “Cada aluno é um ser próprio”.

Sobre o Crea+, “a ideia era fazer algo aos sábados, sair de casa”. Contudo, o (talvez) pouco idealismo ficou para trás assim que Vivian percebeu o esforço dos voluntários para aprender a ensinar. “Vejo o amor pela Pedagogia. Ao contrário do que vejo em outros lugares, aqui o curso que amo é valorizado. Tanto que motiva a estudar e me esforçar cada vez mais para praticar aquilo que aprendo na Universidade”.

Por Pedro Massola – voluntário Crea+ Brasil

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